Bem-vindo à Plataforma Lamego

Aqui você encontra material científico pesquisado, desenvolvido e aplicado no município de Campos dos Goytacazes.

Conheça os projetos que movem a educação, ciência e tecnologia em nosso município.

O repositório

Seja bem-vindo à Plataforma Lamego, um espaço dedicado à ciência e ao desenvolvimento do município. Este repositório é uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, criada para ser um ponto de encontro de toda a produção científica, garantindo acesso a um ecossistema digital que permita preservar, organizar e divulgar as pesquisas acadêmicas da cidade.

 

Mais que um banco de dados, este repositório carrega uma narrativa regional única, que dialoga diretamente com a história e o potencial intelectual da região.

Explore e se conecte com a produção científica de Campos dos Goytacazes.

Quem foi  Alberto Lamego Filho?

Nascido em 1896 e natural da cidade de Campos dos Goytacazes, Alberto Ribeiro Lamego Filho foi um engenheiro, geógrafo, professor e intelectual brasileiro, com grande importância para a geografia, história e desenvolvimento do Norte Fluminense, no estado do Rio de Janeiro.

Graduado no ano de 1918 em Geologia e Engenharia de Minas pelo Royal School of Mines, no Imperial College of Sciences and Tecnology- Londres, Lamego retorna ao país natal para trabalhar no Serviço Geológico Mineralógico do Ministério da Agricultura, onde deu início a um de seus grandes trabalhos, que consistia em apontar ainda na década de 40, o potencial petrolífero da Bacia de Campos. No mesmo período é desenvolvido o material de maior notoriedade da vida do cientista: a série de livros “Os Setores da Evolução Fluminense” composta pelos títulos “O Homem e o Brejo” (Reconhecido no IX Congresso Brasileiro de Geografia em 1940 e escolhido para iniciar a série “Biblioteca Geográfica Brasileira”, por decisão do Conselho Nacional de Geografia); “ O Homem e a Restinga” (Publicado em 1946, conquistou a Medalha de Ouro no X Congresso Brasileiro de Geografia); “ O Homem e a Guanabara” (1948), e “O Homem e a Serra” (1950).

Responsável por aproximadamente 20 obras, foi um dos primeiros estudiosos a analisar de forma científica a relação entre o homem e o meio ambiente na região de Campos dos Goytacazes e do Norte Fluminense. Seus estudos ajudam a entender a ocupação do território, a economia baseada no açúcar, a importância dos rios, restingas, lagoas e outros corpos hídricos, além dos impactos ambientais causados pelas intervenções humanas. 

Foi membro da Academia Fluminense de Letras, da Academia Campista de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico da cidade do Rio de Janeiro, do Instituto Pan-Americano de Geografia e História; sendo figura central da produção intelectual campista no século XX. Também foi diretor da Divisão de Geologia e Mineralogia do Departamento Nacional de Produção Mineral, Delegado do Brasil em congressos sobre Geologia e a Geografia, vice-presidente da Comissão da Carta Geológica Internacional do Mundo, com sede em Paris (França), ex-vice-presidente da União Internacional das Ciências Geológicas com sede em Copenhague (Dinamarca), entre outros cargos.

O estudioso faleceu em 1951, foi sepultado em Campos dos Goytacazes e além do reconhecimento conquistado à sua época, é até os dias atuais grande referência para a comunidade científica nacional, dada a consistência e importância de suas contribuições.

Sobre as Obras

O Homem e O Brejo- Primeiro livro da série “Setores da evolução fluminense”, é originalmente uma tese aprovada no IX Congresso Brasileiro de Geografia em 1940. Posteriormente foi lançada como livro pelo IBGE em 1945 e teve como propósito divulgar estudos regionais do Brasil. No volume é encontrada análise detalhada sobre a geografia da região Norte Fluminense, além das relações que envolviam o ambiente e os agentes do período de colonização, assim como os impactos nas escolhas de interferência na paisagem original em decorrência de progresso.

O Homem e a Restinga- Depois de descrever a relação entre o homem e a parte “alagadiça” da região, Lamego decide produzir um volume direcionado às descrições geográficas das regiões arenosas fluminenses, trazendo novamente a relação do Homem com o espaço como algo indissociável. O projeto foi publicado em 1946 e recebeu medalha de ouro no X Congresso Brasileiro de Geografia.

O Homem e a Guanabara- O terceiro volume da série foi publicado em 1948 pelo IBGE e detalha, além da geografia, a relação sociológica e econômica dos habitantes com o espaço circundante da baía de Guanabara, trabalho importante para entender a história da formação do Rio de Janeiro.

O Homem e a Serra- Seguindo a proposta dos outros três livros, Lamego finaliza a série “Os Setores da Evolução Fluminense” em 1950 discutindo a formação do Rio de Janeiro através da relação do Homem com a serra. O livro passa, assim como os outros, pelo processo de adaptação das atividades em meio à colonização e ocupação territorial, voltado, neste caso, para a dificuldade com as matas nativas do terreno e o período da plantação de café.

Campos dos Goytacazes

É um município localizado na região Norte Fluminense do estado do Rio de Janeiro. Com população formada por 483.540 habitantes, Campos é considerada a maior cidade do interior do estado, sendo o maior município em extensão territorial do RJ. Assentado em extensa planície, seu território é atravessado pelo Rio Paraíba do Sul, elemento estruturante de sua história, juntamente aos múltiplos corpos d’água que os interligam.

Elevada como cidade em 1835, a anteriormente referida Vila de São Salvador, que tinha como base econômica a produção rural, foi palco de intensa movimentação com a implementação do primeiro engenho a vapor no ano de 1830, que tornou Campos um importante centro ferroviário da região posteriormente. Apontada pelo próprio Alberto Lamego como território natural desafiador, a cidade de Campos supera os vistos obstáculos e implementa atividades lucrativas à época, o que é observado pelo autor como um exemplo para outras cidades brasileiras. 

“Centenas de lagoas, de brejais e alagadiços; do banhado imenso a insignificante poça, depressões sem conta; pântanos que recebem lavouras na estiagem e que as afogam em tempos de água; tremedais perenemente inacessiveis, baixadas atoladiças; charcos intermitentes chupados pelos alíseos e que se alagoam sob as chuvaradas, invadindo culturas; atoleiros barrando estradas; lamaçais engulindo o gado; o Paraíba transbordante e devastador, galgando as ribanceiras, espraiando-se pelas pastarias, assolando canaviais, destruindo habitações, esgalhando-se em torrentes de rumo incerto, ao sabor de caminhos de água evanescidos num velho delta fossilizado; a malária, a ancilostomíase, as endemias latentes…”- O Homem e o Brejo. Pág. 29. 1940.

O desenvolvimento da economia através do comércio da cana de açúcar, junto às usinas e à expansão da ferrovia, permitiu a transição das residências rurais para os sobrados e solares que são até hoje encontrados na região central do município, o que garante à Campos dos Goytacazes a posição de museu a céu aberto, pelo rico conjunto de construções ecléticas. Juntamente acompanham os projetos de sanitarização em larga escala no território, responsáveis pela interferência intensa na natureza original por meio dos aterramentos. 

A prosperidade econômica deste período abriu um caminho de influência para a aristocracia campista na política e poder do Império, o que permitiu ao município alguns marcos, como: receber Dom Pedro II quatro vezes, ser a primeira cidade da América Latina a ser alimentada com energia elétrica, além de ser a cidade natal de Nilo Peçanha, ex presidente da República.

Nas últimas décadas, boa parte da receita é decorrente da exploração de petróleo e gás natural na Bacia de Campos (Como já podia ser previsto por Alberto Lamego na década de 40, período da queda da atividade sucroalcooeira), que abriga desde 2009 a plataforma P-51, a primeira plataforma semissubmersível construída inteiramente no Brasil, em Angra dos Reis, e que segue operacional.

Localizado à considerável distância geográfica da capital do Estado do Rio de Janeiro, o município destaca-se por concentrar um número expressivo de instituições de ensino superior, incluindo relevantes universidades públicas de distintas esferas administrativas (federal e estadual). Tal característica confere ao município significativa centralidade acadêmica regional, atraindo estudantes de diferentes estados e consolidando seu perfil como polo universitário.